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Ruy Olympio de Oliveira

Ruy Olympio de Oliveira, nascido em 15 de julho de 1928, em Joinville-SC, fundador do Grupo Escoteiro Duque de Caxias de Indaial e figura importante da contrução da história do escotismo em Santa Catarina.

Filiação: Plácido Olimpio de Oliveira e Thereza Paula Schelemm de Oliveira.
Casado com Ema Blasi de Oliveira.
Filhos: Roberto Blasi Olympio de Oliveira e Rute Blasi Olimpio de Oliveira.
Netos: Luiz Arthur Olympio de Oliveira, Marcelo Olympio de Oliveira, Pedro Henrique de Oliveira Dresch e Luis Fernando de Oliveira Dresch.
Bisneto: Rafael Wendhausen Olympio de Oliveira.

Ruy é o mais velho de três irmãos (Ruy, Sérgio e Léa), nascidos do casamento de Plácido Olimpio de Oliveira – advogado e político catarinense – e Thereza Paula Schlemm de Oliveira.

Natural de Joinville, Ruy sempre foi muito ligado à leitura e aos estudos. Em família era natural que as conversas se desenrolassem em alemão, visto que sua avó materna pouco falava o português, surgindo daí o grande fascínio pela língua e o interesse nas tantas outras em que se aventurou: inglês, espanhol, italiano, francês, latim e hebraico, sendo estas duas últimas apenas algumas palavras.

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Chefe Ruy e seus assistentes em 1960.

Livros sempre estiveram presentes em sua vida. Quando criança seu pai trazia exemplares da National Geographic, ora em espanhol, ora em inglês e mais tarde em português, gerando assim uma paixão que o acompanhou até seus últimos dias. Onde ia, Ruy levava consigo revistas e livros; se havia uma banca ou livraria no meio do caminho era parada certa e dificilmente saía sem algum exemplar, mesmo que repetido da sua coleção, coleção esta que com o passar dos anos não coube mais num cômodo e precisou ser expandida, sendo alocada em um apartamento próximo a sua residência em Florianópolis, um paraíso para os amantes da cultura, já que lá se encontram livros de todos os temas, devidamente catalogados por ele mesmo: Literaturas Inglesa, Alemã, Italiana, Francesa, Brasileira. Enciclopédias. Escotismo. Direito. Engenharia. Astronomia. Estudos Bíblicos. Filosofia. Maçonaria e o que mais imaginar.

Aprendeu Italiano ao se alistar como voluntário para a IIª Guerra Mundial, pois sabia que seria encaminhado para terras italianas. Porém, a guerra teve fim antes de sua incorporação à força expedicionária. Fez os cursos de Cabo e depois de Sargento, dando baixa como 3º Sargento.

Durante o período da guerra sempre que podia acompanhava as lides da pequena guarnição sediada no campo de 190121_468762243142592_1913999652_nIperoba (São Francisco do Sul), onde às vezes pousava um pequeno avião de patrulha, nascendo daí seu entusiasmo pela aviação, vocação frustrada por ter um pequeno grau de daltonismo. Isso não impediu que frequentasse um aeroclube e obtivesse o brevê de piloto privado, já quando promotor em Videira e Campos Novos.

Adolescente, Ruy mudou-se sozinho para Curitiba, a fim de terminar seus estudos e preparar-se para o ingresso na Faculdade de Direito. Para custear sua estada trabalhava no período oposto aos estudos. Cursou um ano de Direito quando, por considerar que na então Capital Federal, Rio de Janeiro, encontraria uma melhor estrutura universitária e principalmente professores renomados (grandes juristas, ministros e os principais teóricos), decide continuar os estudos naquela Capital. Nesta época retoma o contato com o remo (Ruy iniciou neste esporte ainda em Joinville, no Rio Cachoeira), tornando-se remador do Botafogo.

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Chefe Ruy Olympio de Oliveira no cinquentenário de fundação do G.E.D.C

Justamente nesta fase tem seus primeiros contatos com o Escotismo, e inicia como Pioneiro do 10° Grupo Escoteiro do Mar Décimo. Coincidentemente seu pai era próximo de Benjamim Sodré (um dos fundadores do Escotismo no Mar no Brasil) o que aproximou ainda mais Ruy do escotismo, desenvolvendo a partir daí a sua crescente admiração pelos ideais propostos por Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (fundador do Escotismo).

Durante a faculdade de Direito concluiu o Curso de Técnica de Museus e Museologia pelo Museu Histórico Nacional – Rio de Janeiro/RJ (1950), conhecimento que anos mais tarde utilizaria intensamente na administração de sua biblioteca e no auxílio à organização da biblioteca do Ministério Público de Santa Catarina.

Em época de férias Ruy retornava a Santa Catarina principalmente embarcado – ‘naviozinho’ como o chamava carinhosamente ao lembrar. Em virtude das viagens e da inquietude por aprendizado, autodidata que sempre foi, estudou a carta náutica da rota Santa Catarina – Rio de Janeiro e com auxílio do sextante refez para o comandante a rota utilizada, fazendo com que fossem economizados tempo e dinheiro, percorrendo em linha reta o trecho côncavo da costa.

Com o término do Curso de Direito na Faculdade Nacional de Direito – Rio de Janeiro/RJ (1952), Ruy retorna para Santa Catarina e é nomeado Promotor de Justiça Substituto no Ministério Público do Estado de Santa Catarina, prestando exame logo em seguida, sendo efetivado como Promotor de Justiça. Atuou nas comarcas (ordem cronológica) de Orleans, Concórdia, Videira, São Joaquim, Campos Novos, Indaial, Porto União e Rio do Sul. No ano de 1970 é nomeado Procurador de Justiça, e se muda para Florianópolis.

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Chefe Ruy com seu filho Roberto e netos Artur e Marcelo na cerimonia de 55 anos de fundação do G.E.D.C em 2009

Ainda no MPSC implantou a Corregedoria Geral do Ministério Público, sendo o primeiro Corregedor Geral. Foi Membro do Conselho Superior do Ministério Público e do Colégio de Procuradores, além de membro fundador da Associação Catarinense do Ministério Público, Membro do Conselho Diretor da Escola Superior do Ministério Público e Professor de Direito Comercial da referida Escola.

Após seu falecimento, a biblioteca do MPSC, em sua homenagem, recebeu o nome de “Biblioteca Ruy Olympio de Oliveira”.

Devido ao domínio de línguas, principalmente o Alemão, algumas audiências em que atuava como Promotor, e onde o Juiz de Direito, Advogados e Escrivães também dominavam o idioma, eram conduzidas nesta língua, ou em Italiano noutros momentos, visando facilitar a compreensão das partes, pois normalmente eram pessoas simples e descendentes de imigrantes, com pouco domínio do Português. Sentiam-se assim mais à vontade recebendo esse tipo de deferência das autoridades.

Era comum que recebesse os cidadãos em sua própria residência, pois a estrutura disponibilizada pelo Ministério Público não supria a demanda local. Tratava a todos com igualdade e buscava sempre orientá-los.

Quando promotor em Campos Novos conheceu e contraiu núpcias com Ema Blasi de Oliveira (1957), nascendo daí o primogênito Roberto (em Joaçaba, já que Campos Novos não possuía maternidade) e em 1962, já em Rio do Sul, nasceu Rute.

Durante sua vivência nas comarcas desenvolveu inúmeros trabalhos, não somente profissionais, mas 190121_468762243142592_1913999652_nprincipalmente civis.

Ruy dedicou-se aos estudos do clima, fazendo boletins meteorológicos para as rádios locais na época em que residiu em Campos Novos e Rio do Sul. Os pilotos de aeronaves confiavam mais em suas previsões do que naquelas de fontes oficiais.

Vale destacar que Ruy retornou aos bancos escolares no ano de 1958, quando foi licenciado em Geografia, através da CADES, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, contribuindo com isso, junto com outros abnegados de Campos Novos, que aquela cidade pudesse estender o seu grupo escolar para o ciclo ginasial (atual 2º ciclo do ensino fundamental).

Em Rio do Sul foi um dos Professores Fundadores da FEDAVI, atuando na matéria de Legislação Social – Departamento de Direito Econômico do Curso de Administração de Empresas.

1233634_641995795819235_1143245963_nRuy dedicou-se ao estudo da Heráldica (estudo dos brasões) e isso fez com que desenhasse brasões de algumas cidades de Santa Catarina.

Também contribuiu para a implantação de Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), sendo presidente em algumas delas. Auxiliou na estruturação de Rotary Clubes e Lions Clubes. Contribuiu com artigos e trabalhos publicados, nas fontes: “O Estado de São Paulo”, “O Prumo”, “Revista dos Tribunais”, dentre outros, utilizando por vezes alguns de seus pseudônimos: “Olimpicus”, “Éleon Olivenbaum”, “Barbichinha”, etc.

No escotismo era comum que em grandes atividades escoteiras escrevesse canções para a delegação de Santa Catarina ou somente para seu Grupo. Dentre elas, uma em especial ficou conhecida e posteriormente elevada a Hino dos Escoteiros de Santa Catarina.

Dos três Grupos Escoteiros que ajudou a fundar, dois tinham o mesmo nome: Grupo Escoteiro Duque de Caxias (sendo I e II – nas cidades de Campos Novos e Indaial, respectivamente), tamanha era sua admiração pelo Patrono do Exército Brasileiro. O terceiro grupo chamava-se Concórdia (pois estava alojado dentro do Clube Concórdia), na cidade de Rio do Sul.

Ainda no Movimento Escoteiro participou dos primeiros cursos de Insígnia da Madeira, no Parque Saint Hilaire em Porto Alegre (1963), tendo em sua tropa Felinto Shüller, Kentaro Hayashi, José Ferreira Machado, Pe. Frederico Mengeninghausen, Aparecido Lopes de Castro, Gastão Lacreta, Julio Laucevicius, dentre outros. Fazendo parte do primeiro grupo de IM de Santa Catarina, recebeu a terceira conta em dezembro de 1964. Foi membro da Comissão Nacional de Adestramento da União dos Escoteiros do Brasil e Comissário Regional de Adestramento, Região de Santa Catarina.

Na juventude usava um cavanhaque, e recebeu por isso o apelido de Bode Velho. Mesmo contrário ao uso de apelidos, especialmente aqueles que denotam alguma diferença ou característica física, por coincidência ou não, nos Grupos Escoteiros em que ajudou a fundar havia sempre uma Patrulha do Bode na Tropa Escoteira.

Na maçonaria iniciou na loja “Dario Velloso” nº 1213 em Curitiba, em 16 de agosto de 1947, aos 19 anos, permanecendo regular e ativo até o fim da vida, completando 66 anos de atividades, sendo que destes, 39 anos como filiado à Loja “Campos Lobo” nº 1310 em Florianópolis. Dentre os cargos exercidos destacam-se o de Deputado à Soberana Assembleia Federal Legislativa (1950-1952) e representante à Assembleia Constituinte (1949), por delegação da Loja Luz e Verdade III, de Joinville.

Participou como palestrante em diversos seminários, simpósios e cursos. Dentre as condecorações destaca-se a 1186152_641995909152557_759484560_nmaior honraria concedida a um maçom: Comenda da Ordem de Mérito D. Pedro I, em 2008. Ruy é membro fundador da Academia Catarinense Maçônica de Letras, sendo o primeiro ocupante da cadeira nº 9, tendo como Patrono Plácido Olimpio de Oliveira.

Sua paixão por pintura era claramente evidenciada quando alguém o visitava. Fazia questão de levar o visitante à frente de um quadro específico pintado por ele em que mostrava São Francisco do Sul. Pontes e principalmente trens eram temas constantes de suas obras. Além disso, era exímio desenhista a bico de pena, onde o daltonismo não compromete o trabalho, e também aficionado do modelismo em escala.

Era comum que mantivesse contato com estrangeiros através de cartas, sempre discutindo temas relacionados a cultura, história e fatos políticos locais.

Após sua aposentadoria em 1997, dedicou-se aos estudos, leitura, ginástica e principalmente à sua esposa, D. Ema (falecida em 2009), com quem completou bodas de ouro em 2006.

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Inauguração da Praça Escoteira Chefe Ruy Olympio de Oliveira

Alegre, sempre bem humorado, Ruy era uma pessoa desapegada dos valores materiais, desinteressado do brilho, do fausto, das futilidades e das

Luiz Arthur (Neto de Chefe Ruy) entregando ao nosso presidente Hercilio P. da Silva o bastão do Chefe Ruy na cerimonia de 55 anos de fundação do Grupo.

glórias efêmeras. Afável e de fácil trato, dava-se bem com todos, integrando-se logo a qualquer grupo, e a despeito da diferença de idades encontrava grande receptividade com o mais jovens, a quem estimulava e orientava. De comportamento pautado pela retidão e pela ética, era extremamente dinâmico e entusiasmado com a evolução da humanidade, confiante na capacidade do ser humano em aprimorar-se, incentivando aqueles que buscam o conhecimento. Considerava a supremacia do intelecto sobre as paixões terrenas
e a prevalência do espírito sobre a matéria.

Ruy faleceu em Florianópolis, em 25 de agosto de 2013 (dia em que se comemora o nascimento do Duque de Caxias).

 

No dia 14 de novembro de 2015 foi inaugurada a Praça Escoteira Chefe Ruy Olympio de Oliveira, Um sonho idealizado pelo pioneiro Andrey Cristóvão para conquista da Insígnia de BP. Insígnia de conquista máxima dentro do ramo pioneiro. Com a supervisão da mestre Marlen Claudia Tafner em homenagem a este grande chefe escoteiro.