Em 13 de janeiro de 1913 foi fundado pelo professor Curt Boettner um Grupo Escoteiro em Blumenau. Esta informação foi retirada de um artigo publicado no jornal da Alemanha Der Feldmeister n.5, de maio de 1915, páginas 34/35, existente no Museu João Ribeiro dos Santos de Juiz de Fora.

Grupo Blumenau - 19 escoteiros que foram a pé até Florianópolis em 1916
Grupo Blumenau – 19 escoteiros que foram a pé até Florianópolis em 1916

A citação está no livro História do Escotismo Brasileiro (Vol. I) escrito pelo Almirante Bernard David Blower e editado pelo CCME – Centro Cultural do Movimento Escoteiro (1994), quando o autor se refere ao nascimento do escotismo em outros estados brasileiros.

Apenas 6 anos depois de Baden Powell ter iniciado o movimento escoteiro e após três 3 anos de existência do primeiro grupo no País, o professor da Escola Nova (Neue Schule) de Blumenau Curt Böttner, fundou o primeiro grupo na cidade em 13 de janeiro de 1913, composto principalmente por alunos daquela escola. Foi professor de Matemática, Biologia e Ginástica e mais tarde foi promovido a diretor, período no qual a escola construiu sua nova sede, na Rua Nereu Ramos, o atual Pedro II. Böttner nasceu em 25 de setembro de 1887 em Glauchau – Saxônia e

Família Böttner - família de Kurt Böttner
Família Böttner – família de Kurt Böttner

faleceu em data ignorada logo após o término da II Guerra Mundial. Casou-se em 1916 com Gertrud Hering, nascida em 01.08.1898 em Blumenau,  filha de Paul Hering. Em 10.08.1917 nasceu seu único filho Harald. Em 1929 a família voltou para a Alemanha fixando-se em Zittau.

Desenvolveu  inúmeras atividades com os jovens blumenauenses, como os Jogos de Guerra nos morros que circundam a Cia Hering e Altona, exercícios de artilharia (com fogos de artifício)  e cavalaria. Organizou  também  jornadas e expedições, como para o Bairro da Velha pela Rua Mal Deodoro, numa época em que não existia nenhuma  picada nem ponte sobre o ribeirão. Em 18 de julho de 1914  o grupo fez sua primeira apresentação cultural do Teatro Frohsinn composto de canto coral, declamação, piano e ginástica. O evento foi noticiado da seguinte forma pelo Jornal Der Urwaldsbote em 22 de Julho de 1914: O Teatro Frohsinn mal comportava o numeroso público que veio de longe e de perto para assistir a apresentação. Foi realmente um programa muito bonito. Em todo o espetáculo transparecia o espírito escoteiro que logo entusiasmou o público. Após as apresentações de canto dirigidas pelo senhor E. Zimmermann, seguiram-se as declamações, apresentações ao piano e ginástica. Destacaram-se os dois duetos com as canções de ninar apresentadas pelas alunas C. Feddersen, E. Altenburg, R. Müller e pelos alunos A. Lindholm e F. Kilian, todos com muita simpatia. Fortes e merecidos aplausos aos exercícios com bastões das meninas e aos números no trapézio, que apesar da grande dificuldade, foram executados com suavidade e precisão. O ponto culminante do espetáculo no entanto, foram os quadros-vivos, todos referentes à vida escoteira, a alegria no acampamento, o amor ao próximo, etc. Nós nos congratulamos com os jovens e desejamos ao seu chefe, o senhor P. C. Boettner muito sucesso e alegria no futuro.”

Outras ações relevantes daquele período foram a descida pelo Rio Itajaí feito na Páscoa de 1915, quando oito escoteiros em cada canoa desceram até a barra do rio Itajaí, pernoitando na fábrica de papelão. Também fizeram  uma expedição entre os dias 13 e 16 de Novembro de 1915 até as proximidades do Morro do Baú onde escavaram  sambaquis e acharam  peças indígenas. Em 19 de Abril de 1916, dezenove escoteiros foram a pé até Florianópolis e retornaram com o vapor Max até Itajaí após nove dias de jornada. A jornada foi noticiada pelo Jornal Der Urwaldsbote de 02 de Maio de 1916, de cuja reportagem extraímos alguns trechos: “Nossa primeira grande viagem iria levar-nos a Florianópolis, uma “terra incógnita” para a maioria dos nossos rapazes. Os preparativos necessários para grandes caminhadas foram feitos, foi concluído com sucesso um exercício final de 40 km com bagagem e definiram-se os requisitos essenciais para caminhadas. Assim a viagem pode começar!
Na manhã de quarta-feira antes da Páscoa a animada tropa de 19 escoteiros e seu chefe se encontraram na estrada para Gaspar. A maioria caminhava apenas levemente inclinada, pela carga incomum das mochilas, cheias de todo o tipo de coisas que o prudente chefe havia colocado. Mas logo eles se esqueceram da carga, atraídos pelo caminho e pelo belo sol que espreitava por cima dos montes. Em pouco menos de três horas chegaram em Gaspar onde fizeram uma longa pausa. Motoristas que passavam com carro vazio pela estrada levaram-nos de bom grado por um bom trecho, o que nos permitiu chegar as 12 horas em Barracão. Rapidamente deitamos as mochilas, tiramos os utensílios de cozinha e logo fervia a sopa verde sobre um intenso fogo. Após encher os cantis com café novo, fomos adiante. Como o sol pode ser tão bom, enquanto subíamos o longo morro do Barracão! Muitos litros de suor foram derramados ali. Adiante o artigo continua assim: Os últimos 12 km de uma excelente estrada até o Estreito foram concluídos na manhã seguinte. E desta forma, após quase 2 horas de marcha, chegamos no porto do Estreito e admiramos a bela vista diante de nós. Nos arrumamos rapidamente para melhorar a aparência para que pudéssemos causar uma boa impressão na nossa entrada na capital do estado. A travessia transcorreu sem problemas e do cais do porto marchamos unidos e firmes até o Hotel Metropol, onde fomos recebidos com muita hospitalidade pelos cordiais proprietários. Através da intermediação do Sr. E. Fragoso, pai de um dos nossos companheiros, tivemos a honra de ser recebidos pela Excelência, o Senhor Governador (Nota: o governador na época era Felipe Schmidt). Ele nos recebeu com cordialidade e garantiu-nos todo o apoio para passeios, etc. Após o chefe ter feito um breve relato da viagem, fomos liberados. Depois disso, visitamos os editores de vários jornais,

Selo dos 100 anos de escotismo em Blumenau (2013)
Selo dos 100 anos de escotismo em Blumenau (2013)

como “O Dia”, “Estado” e “A Opinião”. No domingo de Páscoa atendemos a um convite do Sr. Karl Hoepcke e de sua amável esposa, visitando-os em sua residência para participar de um Festival da Cruz Vermelha promovido pelo Clube de Caça e Tiro alemão. “

Segundo documento e foto existente no Arquivo Histórico de Blumenau, os integrantes do grupo eram: Lorenz Bonnemassou, Henrique Sachtleben,  Guilherme Jensen, Heinz Schrader, Henrique Schroeder, Vitor Breithaupt, Herbert Böhm, Ninias Cunha, Bläse, Vitor Hering, Waldemar Barreto, Willy Kästner, Richard Paul, Hellmuth Hackländer, Renè Deeke, Elpídio Fragoso, Odebrecht, Harry Schäffer e Ottokar Gruber.

No jornal publicado na Alemanha, “Der Feldmeister”, de maio de 1915, consta que “O grupo escoteiro local é formado por 1 Chefe e 52 escoteiros com idade entre 12 e 17 anos. As 6 patrulhas são guiadas por 6 monitores, todos alunos da Escola Nova (Neue Schule). As reuniões se realizam no inverno, uma vez por semana e no verão, duas vezes por semana. Durante as férias de páscoa e natal realizaram-se viagens de 14 dias de duração, com canoas, até o mar e jornadas a pé ao longo da costa.”

4 sede escoteiros - Cópia
Sede dos Escoteiros – local da primeira sede – Rua Duque de Caxias em Blumenau

No dia 15 de janeiro de 1916, chegou em Blumenau um grupo composto de 15 escoteiros, sob a chefia de George Black. O grupo partiu de Porto Alegre em 26 de Dezembro e foi de trem até Taquara, de lá seguindo a pé por São Francisco de Paula, Torres e Laguna, de onde vieram de navio até nossa cidade. O grupo George Black, fundado em 13/10/1913, é o grupo em funcionamento mais antigo do Brasil.

Para arrecadar fundos para a Cruz Vermelha, o grupo escoteiro organizou mais uma apresentação em 24 de setembro  de 1916 no Teatro Frohsinn, com  um programa que incluía Canções, Poemas, Poesia, Dança e Jogos de Sombra. O Jornal Urwaldsbote assim descreveu  o evento: “O festival apresentado no último domingo pelo grupo escoteiros da Escola Nova em benefício da mobilização da guerra foi um sucesso completo. Raramente a sala do teatro estava tão cheia, com cerca de 800 pessoas, incluindo os escoteiros. A primeira parte, composta de canções e poemas demonstra o valor e importância que a Escola Nova dá para desenvolvimento do canto e do discurso, que podem ser obtidos com jovens através de muitos anos de trabalho determinado e dirigido. Na primeira parte, uma peça variada e cômica foi a apresentação das alunas com a dança “Jovens e Velhos”. O destaque da noite foi a segunda parte. A cena representava uma paisagem da Floresta Negra, em primeiro plano o campo de jogos para os jovens da aldeia, ao lado de uma estalagem, enquanto no fundo, o ranger de um moinho. Era domingo, jovens e idosos celebravam o início da primavera. A juventude cantava e dançava saudando o frescor natural. Logo em seguida, o diretor do circo liberou seus artistas internacionais para acompanhá-los. Imagens coloridas em movimento se mostravam aos espectadores. Danças de várias nações foram apresentados, os ciganos foram seguidos pelos dançarinos japoneses, os filhos do deserto em trajes de beduínos, os ceifadores da Floresta Negra e culminando com um grupo de negros. Uma multidão animada de gnomos na sombra da noite encerrou a apresentação. Fortes aplausos recompensaram as performances graciosas e os divertidos jogos de sombra também agradaram ao público. As receitas da noite somaram 662 mil réis.“ Devido ao sucesso, o mesmo espetáculo foi apresentado em Itajaí em 2 de dezembro do mesmo ano.

Como a escola foi fechada em Novembro de 1917, por conta da entrada do Brasil na I Guerra Mundial, o grupo escoteiro também foi dissolvido, possivelmente no final daquele ano.

Neste ano de 1917, porém, havia sido criado o Grupo Escoteiro de Indaial pelo jovem professor Frederico Kilian, o qual funcionou junto à Sociedade Recreativa Indaial. O grupo, formado entre outros, por Jorge Hiendlmayer, Richard Hiendlmayer, Carl Blaese, Erich Schönfelder, Henrique Schroeder, Heinrich Wanke e Edgar Haertel existiu até o ano de 1922.

Selo de 100 anos do Escotismo em SC

Após um intervalo de mais de dez anos, foi criado um novo grupo na região, desta vez em Gaspar, conforme noticia o Jornal A CIDADE, que destaca o juramento dos primeiros escoteiros de Gaspar na edição de 06.07.1929: “Sábado último tivemos a oportunidade de assistir a uma formatura de pequenos escoteiros do Grupo n. 1 dos Escoteiros de Gaspar, sob o comando do seu fundador e instructor Sr. Pharmaceutico Amphiloquio Nunes Pires.”

O mesmo jornal destaca na edição de 14.09.1929 o Jamboree de Itajahy: “Com um brilho excepcional, apesar do tempo, tiveram lugar na encantadora Itajahy, as festas do “Jamboree” pelas escolas de escoteiros de Florianópolis, Brusque, Gaspar e a do Itajahy.”

UEB-SC_LogoEm Santa Catarina, a entidade que representa oficialmente o Movimento Escoteiro é a União dos Escoteiros do Brasil – Região de Santa Catarina com a sua sede em Florianópolis.

A região de SC também possui o Campo Escoteiro Paulo dos Reis que fica situado no Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis, na Rodovia João Gualberto Soares, nº 10.623.Seu propósito é atender às demandas da UEB/SC e dos Grupos Escoteiros filiados. Assim, além dos cursos e eventos promovidos pela UEB, também os Grupos Escoteiros podem utilizar o local para suas atividades.

Em 2013 o escotismo em Blumenau, assim como em Santa Catarina completou 100 anos. Esta passagens teve destaque para o Acampamento Regional de SC (ARSC do Centenário) que contou com a participação de aproximadamente 2 mil escoteiros dos dias 26 a 28 de julho na cidade de Rio Negrinho. Veja baixo o Documentário sobre o Centenário do Escotismo Catarinense e o Vídeo Oficial do ARSC do Centenário: